Sendo uma pessoa que nasceu no Brasil, crescer influenciado pelo esporte — especialmente pelo sonho de ser jogador de futebol — é algo comum. E, nesse contexto, trago uma estatística interessante: uma pesquisa realizada pela Centauro em conjunto com a Consumoteca revelou que cerca de 47% dos brasileiros acreditam que poderiam ser jogadores de futebol.
E isso não é exclusivo do futebol ou do Brasil. A maioria dos jovens carrega o sonho de se destacar no esporte — seja pela ascensão social, pelo reconhecimento ou pela competitividade. Assim como essa estatística, os personagens de 100 Metros demonstram a esperança de crescer por meio do esporte.
O filme gira em torno de dois personagens principais: Togashi, um garoto com talento para corrida, que está na transição do ensino infantil para o fundamental; e Komiya, um garoto da mesma idade que não possui técnica nem talento, mas que corre como forma de fugir da própria realidade.
Ambos são protagonistas da história. A dinâmica entre Togashi e Komiya é o motor do filme: os dois são carismáticos e possuem qualidades marcantes. Togashi, por exemplo, representa o talento natural — sempre esteve no topo, mas ainda não se encontrou. Já Komiya sabe exatamente o que deseja, mas não possui talento, técnica nem experiência para alcançar esse objetivo.
E não são apenas os protagonistas que têm destaque em seus conflitos. Ao longo do filme, somos apresentados às histórias de diversos outros atletas — desde os que estão no topo até aqueles que estão começando, além de muitos que ainda estão tentando se encontrar.
Outro ponto bastante interessante no filme é o seu estilo de animação. O estúdio “Rock’n Roll Montain”, em seu segundo trabalho, optou por utilizar a rotoscopia, uma técnica que redesenha cenas reais para proporcionar maior realismo. O estilo foi proveitoso e combinou com a proposta; no entanto, em algumas partes houve um excesso que acabou deixando certas cenas desalinhadas em relação ao que se pretendia apresentar. Ainda assim, o saldo final é positivo.
No fim, um sonho não é lógico. Os conflitos de Togashi, Komiya, Zetsu, Kaido — e até mesmo dos 47% que acreditam que podem se tornar atletas profissionais — não seguem necessariamente a lógica. Todos querem sair da realidade em que vivem, sendo ela lógica ou não.
Mas a esperança é o combustível que eles precisam para tentar o impossível.
Nota da review
Tem qualidade e vale o tempo, mesmo com algumas ressalvas.
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