Fire Force (Enen no Shouboutai) é um anime com uma proposta bastante experimental. O protagonista, que sonha em ser um herói, carrega o apelido de "demônio" e vive em uma sociedade pós-apocalíptica que surgiu após um grande cataclismo — bastante parecido com um Segundo Impacto de Evangelion, diga-se de passagem.

Nesse mundo, bombeiros utilizam poderes relacionados ao fogo para combater incêndios causados por combustões humanas espontâneas. É uma premissa bastante peculiar e interessante. Mas, assim como toda história experimental que tenta fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ela precisa saber se sustentar para não se tornar um desastre. E aí fica a pergunta: Fire Force consegue?

O anime começa justamente com essa proposta diferente e cheia de mistérios a serem respondidos. Somando suas três temporadas, são mais de 75 episódios, e, ao final, praticamente todas as perguntas são respondidas. Infelizmente, esse também é um dos problemas da obra.

Fire Force faz questão de explicar cada detalhe desse universo grande e complexo. O problema é que ele explica absolutamente tudo. Chega um momento em que isso se torna cansativo. Se o anime tem 75 episódios, tenho a impressão de que pelo menos 30 deles são dedicados a explicações. Então já saiba: você vai aprender bastante sobre esse mundo.

Mas, indo para os pontos positivos, o anime é bem estruturado. A história termina fechada, possui uma lógica interna consistente e segue uma linha narrativa clara do início ao fim. A ideia final envolvendo a Evangelista e sua seita faz bastante sentido dentro da proposta apresentada.

Por outro lado, quando tentamos nos aprofundar demais em alguns conceitos, os problemas começam a aparecer. É como se certos buracos do roteiro fossem apenas cobertos por um pano. Isso fica ainda mais evidente em algumas conclusões de arcos que não recebem explicações satisfatórias, personagens que convenientemente possuem memórias falhas e até mesmo momentos em que o próprio autor parece se inserir na obra para responder perguntas óbvias e justificar conexões improváveis entre personagens.

Apesar disso, Fire Force é extremamente carismático e, muitas vezes, muito estiloso. Toda a construção desse mundo é interessante, e até os personagens mais excêntricos acabam recebendo momentos de destaque que não chegam a incomodar. Acompanhar o desenvolvimento de Shinra e Arthur é particularmente divertido.

O que sinto falta é de um foco maior no núcleo principal da Companhia 8. Em vários momentos, o anime faz questão de mostrar integrantes das demais companhias e desenvolver inúmeros personagens secundários, sem contar os vilões. No fim, fica aquela sensação estranha de que, embora a história tenha uma conclusão bastante completa, ela não é completa o suficiente. Alguns dos personagens que mais importavam acabam não recebendo o destaque que mereciam.

Sei que, até aqui, minha análise parece carregada de críticas, mas essa não é exatamente a minha intenção. Apesar de Fire Force ser um shonen com praticamente todos os trejeitos, qualidades e problemas típicos do gênero, ele é um anime divertido para passar o tempo — e foi exatamente assim que assisti à série durante períodos mais tranquilos do trabalho.

Fire Force é como uma tapioca: pode matar sua fome ou pode acabar te deixando com ainda mais fome. Mas, no final das contas, continua sendo gostoso.

E, deixando um pequeno spoiler, o anime faz uma ligação direta com uma obra bastante famosa em sua conclusão. A conexão tem uma forte cara de retcon, mas o carisma da série é tão grande que você acaba relevando e passando um paninho.

5,0 / 10

Nota da review

Entrega pouco e depende muito da sua tolerancia ao genero.

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