Hoje, aos 25 anos, posso dizer facilmente que Dark Souls é um dos jogos da minha vida. Atualmente, ele é um jogo amplamente divulgado e recomendado, mas percebo que quase sempre pelos mesmos motivos: o desafio.

"Dark Souls mudou a minha vida por causa do desafio."

"Dark Souls é igual à vida real."

Mas será que esse argumento realmente se sustenta? Será que essa é a melhor forma de convencer alguém a jogar essa franquia e, por consequência, os outros jogos da FromSoftware?

Vamos falar sobre isso.

O primeiro ponto que quero abordar é justamente o maior espantalho da franquia: qual é a verdadeira proposta de Dark Souls?

Por incrível que pareça, não é a dificuldade. O verdadeiro coração de Dark Souls é sua história.

"Mas então por que o jogo é tão difícil?"

Bom, a dificuldade de Dark Souls não existe porque o jogo quer te punir ou fazer de tudo para te sacanear. Ela surge porque você simplesmente não sabe o que vai acontecer. No fim das contas, Dark Souls é um jogo que não vai te entregar um minimapa, uma lista de objetivos ou um marcador indicando exatamente para onde ir.

Ele te joga naquele mundo e espera que você preste atenção.

A história é apresentada de forma direta em alguns momentos, mas grande parte dela está escondida em diálogos, descrições de itens e pequenos detalhes do cenário. Se você tiver interesse em ir além, naturalmente acabará recorrendo à comunidade.

E aí está um dos maiores erros que vejo em quem está começando: tratar Dark Souls como uma experiência totalmente individual.

Sim, existe desafio. Mas quando você conversa com NPCs, presta atenção no mundo e, quando necessário, pesquisa em fóruns, vídeos ou guias, o jogo deixa de parecer um muro intransponível.

E não se trata de depender dos outros para jogar. A própria filosofia de design do Miyazaki sempre incentivou esse senso de comunidade, de pessoas compartilhando descobertas e ajudando umas às outras a entender aquele universo.

"Então você está me dizendo que, se eu ler fóruns e entender a história, vou jogar Dark Souls igual jogo Skyrim e tudo ficará fácil?"

E aí chegamos ao segundo equívoco.

O que faz muitas pessoas desistirem de um Soulslike logo no início não é exatamente a dificuldade, mas a falta de entendimento sobre o propósito do combate.

Muitos entram achando que basta atacar sem pensar, trocar golpes e vencer pela insistência. Mas o combate de Dark Souls é sobre observação.

Pegando o primeiro jogo como exemplo, hoje não existe nenhum inimigo absurdamente difícil que destrua completamente a experiência. Talvez Manus seja a exceção, mas ele é um chefe opcional da DLC.

O verdadeiro desafio está em aprender.

Enquanto RPGs como Skyrim, Cyberpunk 2077, Borderlands ou Mass Effect priorizam flexibilidade e permitem corrigir erros com facilidade, Dark Souls exige comprometimento com suas escolhas.

Você não vai pausar uma luta para diminuir a dificuldade. Não vai abrir um menu e resolver o problema.

Você vai entrar na batalha tentando entender o inimigo.

Se jogar como Guerreiro, terá armaduras pesadas, maior resistência e capacidade de absorver dano.

Se optar por um Mago ou Clérigo, abrirá mão da defesa em troca de um dano absurdo à distância.

Já uma build de Destreza, utilizando katanas ou rapieiras, permitirá um estilo mais ágil e um dos maiores danos por segundo do jogo.

Cada escolha muda completamente a experiência.

E é justamente por isso que considero o fator replay uma das maiores qualidades da franquia.

Toda nova jornada parece diferente.

Em uma run você descobre um pacto escondido. Em outra encontra um NPC que nunca havia visto. Em outra percebe uma conexão da história que passou despercebida anteriormente.

É como reler um livro e encontrar detalhes que você jurava não estarem lá na primeira leitura.

Por isso, não acredito que Dark Souls seja uma metáfora para a vida real.

A comparação que faz mais sentido para mim é outra: Dark Souls é como abrir um livro sem saber nada sobre sua história. Você lê o prefácio, avança algumas páginas e, aos poucos, começa a entender aquele universo.

No final, Dark Souls depende muito mais da calma do jogador do que da sua habilidade.

Entender sua proposta é muito mais importante do que tentar vencer um desafio que, muitas vezes, existe apenas na reputação que o jogo construiu ao longo dos anos.

Comunidade

Comentarios

Leitor Comente com email e senha.

Seu nome sera gerado automaticamente no formato anonimo para aparecer nos comentarios.

Ainda nao ha comentarios. Seja o primeiro a participar.